História

A Terceira Clínica Cirúrgica foi a primeira enfermaria que se transferiu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo para as novas instalações no Hospital das Clínicas. A mudança dos demais serviços foi feita paulatinamente, no período de 1944 a 1948, com a transferência do Serviço do Professor Alípio Corrêa Netto após a inauguração da ala de Clínica Cirúrgica.

 

Durante a sua existência foi dirigida pelos Professores Benedicto Montenegro, Eurico da Silva Bastos, Arrigo Raia, Mario Ramos de Oliveira, Dario Birolini e Samir Rasslan. No período de 1996 a 2004, o Professor Aldo Junqueira Rodrigues Junior foi responsável pelo Serviço de Cirurgia Eletiva e pela Disciplina de Cirurgia Geral da FMUSP.

     

Atualmente denominada Divisão de Clínica Cirúrgica III, engloba os Serviços de Cirurgia Geral Eletiva e de Cirurgia de Emergência, com leitos distribuídos no terceiro e oitavo andares do Instituto Central, além dos leitos do Pronto Socorro Central e a Unidade de Terapia Intensiva  de Emergência Cirúrgica, UTI do Trauma, localizada no quarto andar.

Professores Titulares - Divisão de Clínica Cirurgica III

 
 

Emblema da Cirurgia do Trauma

Emblema da Disciplina de Cirurgia Geral e Trauma 

O planejamento do emblema da Disciplina de Cirurgia do Trauma partiu da premissa de que ele deveria conter os três elementos fundamentais que compõem os objetivos da disciplina: a assistência, o ensino e a pesquisa.

A Figura Central do emblema coloca em evidência o papel do Serviço de Cirurgia do Trauma na assistência e na recuperação de traumatizados físicos, não raramente de grande gravidade e que chegam morrendo e são reconduzidos à vida graças a um gigantesco esforço terapêutico.  Por isso, foram adotados símbolos que representam a luta contra a morte, o “ressurgir das cinzas” e o “renascer”. Após analisar diferentes opções, escolhi, como figura central, a imagem da Fênix, ave fantástica considerada divindade pelos antigos egípcios. De acordo com a lenda, ao chegar ao fim da vida, a Fênix, único exemplar existente, imolava-se pelo fogo em um ninho de madeiras e ervas aromáticas. De suas cinzas nascia uma lagarta que gerava outra Fênix. Esta, após embalsamar em um ovo de mirra as cinzas da ave que a havia gerado, voava para Heliópolis no Egito, para depositá-las no altar do Templo do Sol. Os egípcios a associavam com a imortalidade e ela era considerada uma alegoria da ressurreição e da vida. 

O Escorpião, representado no livro pela constelação de Scorpius, é o símbolo astrológico da regeneração e da transformação e se identifica com a Fênix. Aliás, também com a águia e a serpente por sua força e por sua vigilância constante. A serpente, por ficar sempre à espreita e por mudar periodicamente sua pele, o que traduz renovação. Diga-se de passagem que a astrologia vincula o signo de Escorpião à cirurgia e às ciências biológicas. Finalmente, o sol nascente, que pode ser visto aparecendo por trás do livro, representa a fonte magna de energia e a origem da vida. Seus raios dissipam as trevas, iluminam um novo caminho, anunciam o nascimento da nova Disciplina e a constante renovação que dela se espera.

 

O Segundo componente do emblema refere-se à pesquisa clínica e experimental, que é representada pela árvore. Ela traduz a procura da realidade essencial e representa a vinculação entre a terra e o céu: as raízes mergulhadas nas trevas e a copa que se expande na luz. A imagem da árvore da vida como símbolo do eixo cósmico, do centro do universo, do começo absoluto, pertence ao corpo de mitos, rituais e a imagens que acompanham o homem desde seus primórdios. Referências a ela podem ser encontradas nas antigas religiões e culturas do norte da África, da Europa, da Índia, da Ásia, da Oceania e da América e se expressam, através dos séculos, na arquitetura e em todas as formas de arte religiosa e profana. A árvore da Fertilidade simboliza a grande mãe Terra. A árvore da Ascenção liga céu e terra. A árvore da Sabedoria produz os frutos da ciência. Aliás, lembre-se que o único símbolo verdadeiro da medicina é o cajado de Esculápio, ramo de uma árvore em torno do qual se enrosca uma serpente.

 

O Terceiro elemento do emblema representa a vocação para o ensino. Embora haja diferentes formas de espressá-la, escolhi o livro, pois a palavra escrita é o instrumento principal de comunicação, o meio de divulgar informações, de anunciar, preservar e transmitir conhecimentos. Desde as tábuas dos sumerianos, dos assírios e dos babilônios até os textos gerados por computadores, passando pelos papiros egípcios, o livro foi o elemento essencial da preservação e da multiplicação das conquistas do homem e tornou possível uma verdadeira revolução na cultura universal. Por isso, representa o nosso papel de educadores e dá ênfase à nossa missão de ensinar.

Pedi ao Falcetti, artista que todos conhecem por seus excelentes trabalhos de documentação médica, que reunisse os ingredientes e elaborasse um conjunto harmônico e equilibrado. Ele prontamente atendeu. E assim nasceu nosso emblema.

Dario Birolini

Jornal do Trauma, ano 1 - Edição nº 4 - 1989 (editado)